sábado, 26 de dezembro de 2009

Projeto vai formar agentes de assistência técnica e extensão rural


O projeto de qualificação de Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), em manejo ecológico e conservação dos solos e água no Estado de Mato Grosso, será executado no campus da Unemat em Pontes e Lacerda, por uma equipe multidisciplinar. A proposta foi aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), esta semana, por meio do Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/Dater Nº 033/2009.

A expectativa é de atender 80 profissionais das áreas de ciências agrárias, ligados à atividade de extensão rural, que tenham vínculo funcional com a Empaer/MT e secretarias municipais de agricultura.

O valor total do projeto é de R$ 121.882,70. A contratação da proposta ocorre ainda este ano e as atividades serão executadas até dezembro de 2011.

Para o coordenador do projeto, professor Samuel Laudelino Silva, a qualificação técnica vai beneficiar diretamente agricultores familiares. “O projeto tem como objetivo atender aos princípios sistêmicos de sustentabilidade agrícola em bases ecológicas e fortalecer o processo de permanência dos produtores rurais em suas áreas, visando à diminuição do êxodo rural via a qualificação técnica desses atores sociais”.

Serão oferecidos dois cursos, com 40 vagas cada, de 88 horas/aula, incluindo parte teórica e pratica. Os participantes terão gratuitamente hospedagem, translado da cidade para o campus e locais de visita técnica e alimentação.

Quatro pesquisadores da Unemat atuarão diretamente nas atividades, entre os quais, os professores Samuel Laudelino Silva (coordenador), Maria Aparecida Pereira Pierangeli, Eurico Neto e Heitor Kirsch. A equipe contará também com pesquisadores da Empaer, Prefeitura de Pontes e Lacerda, Centro de Tecnologia Alternativa, além de monitores acadêmicos da Unemat e profissionais.

Pecuária de corte


A pecuária de corte nacional é uma das principais atividades de exploração econômica do país, caracterizava-se antigamente pelo atraso tecnológico, gestão familiar e principalmente a resistência ao uso das tecnologias da área.

Hoje o cenário diferencia-se um pouco, com uma nova imagem da propriedade rural, que em muitos casos já é administrada como uma empresa. Segundo Barcellos et al (2005), o uso de tecnologias que ajudaram a tecnificar a pecuária de corte, foram principalmente: A suplementação dos animais, utilização de misturas minerais, avanço na seleção das forrageiras, a utilização da seleção genética nas propriedades (principalmente pelo uso de touros selecionados) e o cruzamento das raças (permitindo uma diminuição do tempo do ciclo da atividade).

Raças de bovinos

Uma das principais decisões do pecuarista ao iniciar ou mudar a atividade de pecuária é quanto a escolha da raça que será criada, pode-se destacar algumas raças, porém a decisão deve ser tomada com bom senso. O pecuarista deve saber a realidade de sua propriedade e o nível de tecnologia que almejará empregar e assim escolher a raça a ser criada. Existem raças mais precoces e outras mais tardias, porém o nível de exigência delas varia, principalmente quanto ao clima e alimentação fornecida. Definimos como “aptidão” a finalidade para qual a raça é mais produtiva, então podemos ter raças de aptidão de corte, aptidão para leite e de dupla aptid

ão (servem tanto para a produçã

o de corte como para produção de leite). Algumas raças indicadas para a produção de corte:




- Nelore: responsável por 80% do rebanho nacional, o nelore apresenta excelente adaptação as regiões mais quentes do país (trata-se de u

ma raça de origem indiana) além de

resistência a restrições alimentares;







- Angus: raça de origem européia, produz carnes com excelentes características de maciez e sabor, trata-se de uma raça com terminação mais precoce quando comparado ao nelore, porém a exigência principalmente quanto a alimentação é maior;










- Brahman: trata-se de um cruzamento criado nos Estados Unidos entre as principais raças zebuínas, é uma excelente raça para cruzamento industrial, pela origem é uma raça com boa adaptação ao nosso país;









- Brangus: raça oriunda do cruzamento do Brahman X Angus, a principal característica da carne dessa raça é a excelente marmorização, muito utilizada nos confinamentos devido ao seu elevado ganho de peso e precocidade.






A pecuária de corte brasileira tem um fator bastante competitivo em relação ao cenário mundial: grande parte do rebanho nacional é criado exclusivamente à pasto, o que gera diminuição dos custos de produção da arroba de carne. Nota-se que passamos por um momento de mudanças, a propriedade já é tratada como uma empresa e administrada de forma menos familiar. Há muito a se evoluir, principalmente no que se refere a diminuição do ciclo de produção, algo q atualmente gira em torno de 4-5 anos, o emprego de tecnologias principalmente do melhoramento genético são alternativas que farão a pecuária brasileira ganhar cada vez mais o cenário mundial e alcançar níveis tecnificados.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Agricultura de Subsistência: baixa produtividade


É um sistema de produção agrícola que visa a sobrevivência do agricultor e de sua família. É caracterizada pela utilização de recursos técnicos pouco desenvolvidos. Os instrumentos agrícolas mais usados são: enxada, foice e arado. Raramente são utilizados tratores ou outro tipo de máquina. A produção é baixa em comparação às grandes propriedades rurais mecanizadas.

Este sistema é geralmente aplicado em pequenas propriedades rurais, também conhecidas como sítios, de regiões pobres.

A produção nestas propriedades é, na maioria das vezes, de hortaliças, arroz, feijão, batata, mandioca e milho.
Quando sobra parte da produção, esta é vendida ou trocada por outros produtos que não são produzidos na propriedade.

Porque criar Guzerá?


Bom de leite, bom de carne, bom de conversão alimentar, extremamente rústico e fértil. Todas as raças gostariam de ter tantas qualidades.

O Guzerá é extremamente longevo e é pelas suas qualidades, formadoras de outras raças. E por isto tudo é uma raça que dá lucro.

A raça é de dupla aptidão. Por isto os pecuaristas de todos os segmentos vem utilizando o Guzerá em seus cruzamentos.



Leva peso e habilidade materna ao gado branco de corte. Tem respondido à pressão de melhoramento para carne com aumentos expressivos na velocidade de ganho de peso . Hoje são comuns touros com mais de uma tonelada.

Leva saúde, rusticidade ao gado das bacias leiteiras. É a garantia de bezerros grandes e fortes, com alta resistência aos carrapatos e aos períodos secos comuns no mundo tropical. A vaca Guzerá das linhagens leiteiras produz leite com custos baixíssimos.

Projeto modelo de produção orgânica de leite beneficia agricultores familiares.


Avaliar e desenvolver um modelo de produção orgânica de leite para bubalinos e bovinos respeitando os princípios agroecológicos. Este é o objetivo do projeto de pesquisa desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia (Seagri), através da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que visa otimizar a produção leiteira e colaborar com o aumento da renda dos agricultores familiares, sem comprometer a biodiversidade do ecossistema.

Os trabalhos de pesquisa iniciaram, este ano, na Estação Experimental de Aramari, região de Alagoinhas, e participam do projeto os produtores rurais dos territórios Cidadania Litoral Sul e Baixo Sul, para produção orgânica de leite com bubalinos e bovinos. Os agricultores familiares dos territórios Litoral Norte e Agreste de Alagoinhas, que estão no entorno da Estação Experimental, além de poderem acompanhar as pesquisas na área de produção de leite, serão beneficiados com os trabalhos voltados para a diversificação de culturas e preservação ambiental, que também fazem parte do projeto.

Segundo Antonio Vicente Dias, veterinário da EBDA, o projeto será executado na Estação Experimental e em duas propriedades dos territórios que englobam o Extremo-Sul do Estado, até 2011, e prevê ações de manejo orgânico de solos, controle alternativo de formigas cortadeiras, homeopatia e fitoterapia no manejo sanitário dos animais, preservação de nascentes e cuidados ambientais. O projeto também envolve ações de recuperação de áreas degradadas do solo - com manejo orgânico -, de matas ciliares e nascentes, e dos recursos hídricos. A preocupação com o conforto térmico e o bem-estar animal é outra característica do projeto, bem como com a qualidade do leite, determinada por análises, realizadas pela EBDA, e a integração de outras culturas ao sistema.

"Ao final deste projeto pretendemos contar com uma unidade modelo de produção orgânica, na Estação Experimental de Aramari, onde os agricultores familiares serão treinados vivenciando uma realidade concreta", explicou Antônio Vicente. O modelo de produção orgânica de leite adotado apresenta princípios agroecológicos e bases de sustentabilidade que permitem produzir a partir das técnicas orgânicas de cultivo, sem prejudicar o meio ambiente e os seres humanos. A previsão é que, ao longo dos trinta e seis meses da pesquisa, serão combinadas inovações tecnológicas com as práticas tradicionais dos agricultores, tais como reciclagem e conservação da água e técnicas de adubação verde e compostagem, de proteção das nascentes, de manejo de outros animais domésticos (galinhas, peru e porcos) e conservação de recursos florestais, não madeireiros, como lenha, plantas medicinais e fruteiras.

Importância Econômico-Social do Agronegócio Brasileiro


O agronegócio é também importante na geração de renda e riqueza do País. No aspecto social, a agricultura é o setor econômico que ainda mais ocupa mão-de-obra, ao redor de 17 milhões de pessoas, que somados a 10 milhões dos demais componentes do agronegócio, representa 27 milhões de pessoas, no total. É o setor que ocupa mais mão-de-obra em relação ao valor de produção: para cada R$ 1 milhão, o número de ocupados, em 1995, era de 182 para a agropecuária, 25 para a extração mineral, 38 para a construção civil. (CONTINI, 2001).

O agronegócio como um todo envolve mais de 1/3 do PIB brasileiro. Mesmo reconhecendo-se os benefícios da transformação de uma sociedade agrária para uma industrial-urbana, não se pode esquecer que esta tem capacidade limitada de absorver mão-de-obra. Principalmente em regiões menos desenvolvidas, os setores da agricultura, da agroindustrialização e de áreas correlatas serão importantes para o crescimento da renda e do emprego. (RENAI, 2007).

No contexto da recente crise cambial, o agronegócio tem sido um fator que minimizou os desequilíbrios das contas externas do Brasil. A agricultura contribuiu decisivamente para as exportações com saldo comercial setorial positivo da ordem de US$ 40,18 bilhões de dólares em 2006 e de 49,7 bilhões em 2007.



Desafios do Agrone
gócio no Brasil

Segundo indicadores da (Unctad), a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. Em 2006 as exportações cresceram 19,29% em relação a 2005, em termos de saldo, a ampliação em 2007 foi de cerca de US$ 58,4 bilhões, um aumento de 10,8% acima dos US$ 52,04 bilhões de 2006. O país é líder mundial de exportação de açúcar, café, suco de laranja e soja. Assumiu também a dianteira nos segmentos de carne bovina e frango, depois de ultrapassar tradicionais concorrentes, como Estados Unidos e Austrália. Essas boas posições devem consolidar-se ainda mais nos próximos anos. (BORGES, 2007).

Esse montante coloca o Brasil entre os líderes mundiais na produção de soja, milho, açúcar, café, carne bovina e de frango. Mas todos esses bons resultados, assim como as expectativas futuras, correm sérios riscos de sofrer um pesado revés se os problemas relacionados à infra-estrutura logística - o maior obstáculo para o desenvolvimento do agronegócio do Brasil, não forem solucionados. Um dos grandes entraves é a infra-estrutura, em particular a precariedade da malha rodoviária do país.

De acordo com uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto, elaborada pela CNT Confederação Nacional do Transporte (2007), dos 84.832 quilômetros avaliados, 37% encontram-se em estado péssimo de conservação e outros 32% possuem alguma deficiência. Em razão desse tipo de problema, regiões com potencial no agronegócio, como o Nordeste, ainda não conseguiram deslanchar. O agronegócio é justamente o que mais sofre com a ineficiência dos canais de transporte, cujas deficiências são responsáveis por prejuízo correspondente a 16% do PIB, segundo estudo do Centro de Estudos de Logística da Universidade do Rio de Janeiro.

O gargalo logístico envolve praticamente toda a infra-estrutura de transporte do país. As ferrovias, embora tenham recebido investimentos com a privatização, ainda estão longe de suprir a demanda do setor de agronegócio e se consolidar como uma alternativa viável ao transporte rodoviário. Além da ampliação da malha de 30 mil quilômetros de extensão (praticamente igual a do Japão, país 22 vezes menor que o Brasil) é urgente a modernização do maquinário. Com os trens e bitolas atuais, a velocidade média das composições não ultrapassa lentos 25 km/h. (BORGES, 2007).

Ainda de acordo com a mesma fonte, Ao mesmo tempo, deixamos de fazer uso de canais de transporte de grande potencial, caso dos 42 mil quilômetros de hidrovias, em que apenas 10 mil quilômetros são efetivamente utilizados. Como resultado, sistemas como o do Tietê-Paraná, com 2,4 mil quilômetros e que consumiu US$ 2 bilhões em investimentos públicos em vários governos, escoa apenas 2 milhões de toneladas de carga/ano, apenas 10% de sua capacidade total.

No transporte marítimo de cabotagem (outro canal com grande potencial no Brasil) assistimos a uma situação semelhante. Embora a privatização tenha contribuído para a modernização dos portos, o excesso de mão-de-obra (que chega a ser de três a nove vezes superiores aos portos europeus e sul-americanos) ainda mantém os padrões de produtividade baixos. Enquanto o índice internacional de movimentação é de 40 contêineres/hora, nos portos brasileiros essa média é de 27. É um dos motivos pelos quais todos os anos caminhões formam filas de até 150 quilômetros de extensão para descarregar suas cargas no porto de Paranaguá (PR).

Consciente de que sozinho não conseguirá reverter esse quadro, o governo federal já busca o apoio da iniciativa privada. Por meio do plano de Parceria Público-Privada, que pretende investir R$ 13,68 bilhões em 23 projetos de reformas em rodovias, ferrovias, portos e canais de irrigação nos próximos anos. Na certeza que só as Parcerias Público-Privada, não será suficiente para dotar o país de bom infra-estrutura, o Governo Federal criou o (PAC) Programa de Aceleração do Crescimento lançado no começo de 2007, foi concebido para eliminar esse descompasso e afastar o risco de gargalos nos próximos anos. (PAC, 2009).

O objetivo do programa é aumentar o investimento em infra-estrutura para: eliminar os principais gargalos que podem restringir o crescimento da economia; reduzir custos e aumentar a produtividade das empresas; estimular o aumento do investimento privado; e reduzir as desigualdades regionais. Os investimentos em Infra-Estrutura logística do PAC previstos até 2010 são de R$ 58 bilhões de reais.

É preciso destacar também que, além dos recursos, a iniciativa privada ainda tem muito a contribuir para o desenvolvimento da infra-estrutura do país, incentivando a criação de pólos intermodais de transporte (integração entre os sistemas rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial e aéreo) para redução de custos e aumento do nível de serviços.

Um exemplo do potencial desses pólos é representado por um estudo do Geipot (Empresa Brasileira de Planejamento em Transportes, ligada ao Ministério dos Transportes). Já em 2000, a empresa alertava que o melhor aproveitamento e a utilização racional dos canais de transporte seria capaz de economizar em cerca de US$ 75 milhões os custos anuais de escoamento de grãos. Para ilustrar o que estamos falando, basta destacar que um único comboio na hidrovia Rio Madeira tem capacidade para 18 mil toneladas de grãos, substituindo 600 carretas de 30 toneladas nos eixos Cuiabá (MT) / Santos (SP) e Cuiabá (MT) /Paranaguá (PR). Essa redução dos custos de transporte contribuiria diretamente para reduzir os custos de nossos produtos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional. Isso sem falar da economia de combustível e de fretes, na redução do tráfego e desgaste das rodovias.

Outro obstáculo sério ao desenvolvimento pleno do agronegócio está relacionado ao sistema tributário. Com uma economia aberta ao exterior, isto é com possibilidade de exportar e importar qualquer produto do agronegócio, a carga tributária deve ser compatível com a dos nossos competidores. Como nossos concorrentes, inclusive no Mercosul, têm impostos baixos, fica difícil ao produtor brasileiro competir nos mercados externos; vezes há que perde o próprio mercado interno porque os produtos importados chegam mais baratos.

Não há como o produtor rural e a agroindústria serem competitivos com governos vorazes em criar novos impostos, aumentar os atuais e com mecanismos complexos de arrecadação, o que aumenta os custos de produção. A reforma tributária é urgente, com diminuição da carga e simplificação dos procedimentos na tributação. Além das medidas de controle sanitário que também estão na relação de assuntos importantes que vêm sendo negligenciados pelo governo.

O potencial de prejuízos que isso pode acarretar aos produtores já foi demonstrado nos últimos anos. Por causa do surgimento de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná, segundo Seibel (2007) mais de 50 países impuseram embargo à carne bovina desses estados, que estão entre os maiores produtores nacionais. Além do embargo à carne bovina, o agronegócio brasileiro sofreu com o surto de gripe aviária, que prejudicou as exportações mesmo de países que não registraram casos da doença (como o Brasil).

Como se vê, os obstáculos para o crescimento do agronegócio brasileiro são imensos, mas as soluções também existem e precisam ser colocadas em prática. O que esperamos, é que tanto o governo nas esferas federal, estadual e municipal, quanto a iniciativa privada, mantenham a sua determinação em modernizar a infra-estrutura brasileira, e resolva os problemas domésticos para que o pais se torne a potência do agronegócio do futuro.

Caprinos: genética mais barata


Bom para quem vende e melhor para quem compra. A inseminação artificial de caprinos e ovinos no Brasil é um negócio emergente e lucrativo, que começa a despertar cada vez mais o interesse de criadores brasileiros. Conforme o presidente da Associação Paulista de Criadores de Caprinos (Capripaulo), Vicente Ribeiro, a inseminação artificial é hoje o método mais acessível para melhorar o nível do rebanho do País. “Não há crescimento genético se não se trabalhar com todas as variantes que as espécies oferecem”, diz Ribeiro. “E, no caso dos caprinos e ovinos, só temos duas: trabalhar diretamente com o animal, adquirindo reprodutores, o que é muito caro, ou com o sêmen congelado.” A inseminação artificial, segundo Ribeiro, tem possibilitado a melhora e o aumento do rebanho de ovinos e caprinos no País, e atraindo novos criadores. Ele cita o Estado de São Paulo, onde as atividades vêm crescendo nos últimos anos, tanto pelo aumento efetivo dos rebanhos quanto pelo incremento do número de propriedades rurais destinadas à atividade. O rebanho de caprinos e ovinos no Estado em 1996 era de 64.900 e 257.400 cabeças, respectivamente. Em 2005, passou a 82.100 cabeças de caprinos (aumento de 26,5%)e 324.700 cabeças de ovinos (aumento de 26,1%). INVESTIMENTO Mas se hoje é uma atividade atraente, deve-se ao empenho de algumas empresas brasileiras que investiram na tecnologia. Há menos de seis anos, sêmen de caprino e ovino era importado da França, do Canadá e dos Estados Unidos, a peso de ouro: US$ 50 a dose. Até que uma empresa de Porto Feliz (SP), região de Sorocaba, resolveu, em vez de importar o sêmen, investir US$ 10 mil na compra de quatro machos reprodutores das raças saanen, anglo-nubiana e bôer, dando início ao negócio. Desenvolveu, também, tecnologia para congelar o sêmen e fazer coleta de sêmen e inseminação de ovinos, caprinos e bovinos. Resultado: a dose de sêmen caprino pode ser adquirida, hoje, pela média de US$ 2 a unidade. “Faltava iniciativa no Brasil para superar o elevado preço do sêmen”, conta o proprietário da empresa, Julio Motta. “E nós conseguimos romper essa barreira.” Além de reprodutores próprios, a empresa aloja reprodutores de terceiros e fica responsável pela comercialização do sêmen. GENÉTICA APURADA Com o preço menor do sêmen, os criadores tiveram a possibilidade de melhorar mais rapidamente a genética do plantel. O pecuarista Wilson Valentini Júnior, proprietário da Granja União, de Pindamonhangaba (SP), utiliza a inseminação artificial em seu rebanho caprino - 350 cabeças para leite e corte, das raças saanen, boggenuerg e anglo-nubiana - há sete anos. “Antes, eu tinha de importar o sêmen dos Estados Unidos e do Canadá, por US$ 50 a dose”, conta Valentini Jr. “Com a tecnologia brasileira, há cinco anos, o processo ficou mais viável”, comemora. “Hoje, tanto um criador do Nordeste como do Sul pode melhorar o rebanho adquirindo sêmen de reprodutores de qualidade comprovada, sem um custo absurdo.” Dois de seus animais tops, premiados em pistas, estão na empresa de inseminação de Porto Feliz: Chile, da raça boggenuerg, e Rosário, da raça saanen, ambos avaliados em R$ 20 mil, cada. A dose de sêmen de cada um é vendida por R$ 25. Rosário já forneceu 500 doses, vendidas em apenas 60 dias, e voltou à central de inseminação para a coleta de mais mil doses. Outros três animais premiados, Silverado (anglo-nubiano), Grafite (boggenuerg) e Jatobá (saanen) também estão sendo preparados para passar uma temporada em coleta. CORTE E LEITE Ribeiro, da Capripaulo, também é criador de caprinos e ovinos de corte e leite. Em sua propriedade, em Jacareí (SP), o sistema de produção é de confinamento, com destaque para os animais de apurada genética e uma estrutura de cama de palha arroz (diferente das usuais, com piso ripado). Ele afirma que o rebanho paulista possui alta qualidade genética, o que proporciona altos índices de produtividade de leite, e, no caso do corte, carcaças com bom rendimento. “Hoje, com a tecnologia desenvolvida aqui, a inseminação artificial permite ao criador melhorar seu rebanho com baixo investimento e uma boa genética.” O mercado, no Brasil, tornou-se tão atraente que chamou a atenção de uma empresa holandesa de inseminação artificial, especializada em bovinos. Há cinco anos, a empresa investiu em caprinos e ovinos e ainda hoje é a única do País a distribuir sêmen congelado desses animais, numa parceria feita com a empresa de Porto Feliz. Segundo o gerente da empresa, o veterinário André Bruzzi Correia, a aposta deu certo. O mercado de sêmen congelado de caprinos e ovinos cresceu 100%, entre 2004 e 2005, e a tendência é continuar em alta. “Há cinco anos muitos não acreditavam que era um mercado promissor. Hoje, quem não apostou nisso está correndo atrás”, diz Correia. “A criação de ovinos e caprinos tem alta rentabilidade e um ciclo muito mais rápido do que o de bovinos.”

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pimenta Bueno

Pimenta Bueno é um município brasileiro do estado de Rondônia. Localiza-se a uma latitude 11º40'21" sul e a uma longitude 61º11'37" oeste. Sua população estimada em 2004 era de 31 416 habitantes.

Possui uma área de 6258,64 km² e conta com clima quente e úmido, amenizado pela altitude de 195 metros em que se encontra, apresenta grandes variações de temperatura entre os extremos diurnos e noturnos.

História

Localizada ao sul do estado de Rondônia, Pimenta Bueno foi a segunda cidade originada a partir da passagem do Marechal Rondon na região. Em 1912, na confluência dos Rios Apidiá e Comemoração, hoje Rios Pimenta Bueno e Barão de Melgaço, foi instalada uma Estação Telegráfica, sob o comando do Cabo João Pimenta Bueno. Nessa época dos 600 homens que participavam da Expedição de Marechal Cândido Rondon, 100 chegaram com a missão de expandir a linha telegráfica Corumbá e Cuiabá até o Acre e Amazonas. Os garimpeiros e seringueiros que residiam nesse povoado eram maioria nordestinos atraídos pelas riquezas naturais.

A denominação dada ao rio Pimenta Bueno e, oportunamente, a Estação Telegráfica de Pimenta Bueno, pelo chefe da Comissão Rondon, deve-se à homenagem que a mesma estaria a prestar ao ilustre homem público, Francisco Antônio Pimenta Bueno, nascido em Cuiabá, aos 10 de novembro de 1836 e que faleceu no Rio de janeiro, em 7 de dezembro de 1888. Francisco era filho do Dr. José Antônio Pimenta Bueno, Visconde e Marquês de São Vicente, que, por sua vez, foi um dos maiores juristas da época imperial, também Presidente da Província de Mato-Grosso, em 1846 e, mais adiante, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, em 1850, e da Marquesa Dona Balbina Henriqueta de Faria e Albuquerque. Francisco Antônio Pimenta Bueno, de excelente formação moral, descendente de nobre família, houvera, desde muito cedo, abraçado a carreira militar, tornando-se Coronel do Estado Maior de Primeira Classe.

Há referências que em 1926, o vilarejo contava com a população de 24 pessoas. Até a década de 1940, o pequeno povoado viveu em função do posto telegráfico e a economia girava em torno da extração da borracha e garimpo de diamantes. Nos anos 1960 com a abertura da BR-364 pelo quinto batalhão de engenharia e construção (5.º BEC) a vila se expandiu.

Em 1969, com a implantação do projeto integrado de colonização pelo Incra, começaram a chegar os migrantes, vindos especialmente do sul, para promover o crescimento e o progresso do então território federal do Guaporé, posteriormente território federal de Rondônia. Ainda hoje, segundo pesquisadores, residem no Município, descendentes daqueles pioneiros.

Elevado a condição de município, por meio do decreto n.º 6.448, artigo 47 de 11 de outubro de 1977 foi criado o Município de Pimenta Bueno, sua emancipação político-administrativa aconteceu em 24 de novembro de 1977, data em que comemora o aniversário do Município e a posse do primeiro prefeito nomeado pelo governador Humberto da Silva Guedes (Coronel do Exército), Vicente Homem Sobrinho.

Ponto turístico: Praia Descrição: No período de estiagem, os rios amazônicos reduzem seu volume d´água, rebaixando sensivelmente seu nível fluviométrico; com isso, provoca o aparecimento de trechos dos rios margeados por praias arenosas, propícias a atividades de lazer. Nas proximidades do encontro das águas dos rios Pimenta Bueno e Comemoração, afloram diversas praias, frequentadas por moradores locais e visitantes, dada a facilidade de acesso, qualidade das águas e atrativos do local. A montante dos referidos rios, existem outras praias igualmente atraentes, necessitando-se porém de uma embarcação para atingi-las.A distância destas praias é de 2 a 3 km da zona central da cidade, acessível através dos bairros marginais aos rios.